A tempestade em torno do KPO. Indústria do turismo: os políticos não nos ouviram e agora estão procurando alguém para culpar.
Nos últimos dias, uma ampla controvérsia eclodiu na esfera pública a respeito do gasto de verbas do Plano Nacional de Recuperação (KPO) destinadas ao setor HoReCa. Entre os projetos subsidiados estavam iates, casas flutuantes, solários, saunas, campos de tiro virtuais, móveis de guarda-roupa e até plataformas de ponte. A escala da controvérsia forçou as autoridades a reagir – o presidente da Agência Polonesa para o Desenvolvimento Empresarial (PARP) foi demitido, auditorias de projetos foram iniciadas e a Comissão Europeia anunciou uma análise da conformidade desses projetos com os critérios do KPO.
Falta de diálogo – outro marco do fracasso da indústria?
O setor de turismo e restaurantes tem argumentado repetidamente que as premissas do programa KPO são falhas – o apoio oferecido não está suficientemente alinhado com as reais necessidades da recuperação pós-pandemia. Em vez de estimular a inovação, a sugestão de diversificação das operações pode dissipar os recursos dos empreendedores e enfraquecer sua competitividade.
Infelizmente, apesar das inúmeras vozes de empresários e organizações do setor — especialmente representantes do setor hoteleiro —, a administração pública não conseguiu estabelecer um diálogo com o setor. Os projetos foram conduzidos de acordo com sua própria visão, sem consulta real. Este caso demonstra que o setor do turismo está enfrentando um impasse administrativo, e os políticos frequentemente acreditam que a infalibilidade pode substituir a consulta a especialistas.
O turismo é um setor vital da economia – e os políticos ignoram-no
O setor de turismo e hospitalidade polonês representa mais de 5% do PIB e centenas de milhares de empregos — um setor estratégico para a economia. Enquanto isso, o ministério no qual opera — o Ministério do Esporte e Turismo — permanece desprovido de influência e responsabilização reais. A coordenação interministerial, inclusive com o Ministério da Educação, é deficiente, resultando em absurdos: programas como "Viaje com Classe" e "Descubra a Polônia", que ignoram operadores turísticos profissionais, foram criados pelo Ministério da Educação Nacional sem qualquer contato com o setor.
Os empreendedores aproveitaram-se disto – não podem ser punidos por isso
Vale ressaltar que os empreendedores se beneficiaram do programa elaborado. As inscrições foram aceitas e verificadas pelas unidades competentes designadas pelo PARP. Portanto, eles não podem ser responsabilizados por agirem de acordo com a inscrição enviada e aprovada. Eles não são responsáveis por erros sistêmicos. Nos opomos veementemente à penalização de empreendedores que tentaram alavancar os instrumentos disponíveis para o crescimento – são os empreendedores do turismo que geram 5% do PIB da Polônia! São pequenas e médias empresas, a base de qualquer economia nacional saudável.
ESPT – consultas e diálogos essenciais com a indústria
A falta de cooperação e colaboração interministerial com organizações do setor é um grande problema. Por isso, como ESPT, apelamos ao Primeiro-Ministro para que incorporasse o Ministério do Turismo ao Ministério da Economia. A experiência mostra que o modelo atual (turismo integrado com o esporte) falha tanto em termos de pessoal quanto de organização. Muitos dos nossos apelos por discussões interministeriais com o Ministério do Esporte e Turismo (especialmente com o Ministério da Educação Nacional e o Ministério dos Assuntos Sociais) ficaram sem resposta. A falta de consulta marginaliza o setor – mesmo em questões tão triviais como o uso correto do nome do ministério: Ministério do Esporte e Turismo, não apenas do esporte.
O turismo abrange muitos setores — hospitalidade, gastronomia, transporte, cultura, recreação, eventos, MICE, bem-estar, ecoturismo e o ecossistema de serviços. Organizações como a ESPT abordam questões desafiadoras e estão abertas a soluções colaborativas — infelizmente, políticos e governos frequentemente ignoram esses esforços.
O escândalo da KPO está minando a confiança do setor – os empreendedores não foram os que estabeleceram a estrutura para a alocação de fundos e agora estão sendo alvos e tratados como fraudadores. A falta de diálogo entre o governo e o setor se traduz em erros sistêmicos, cujos custos são suportados pelos empreendedores. As empresas não têm culpa – programas mal elaborados e a falta de consulta são os culpados. Ressaltamos que o turismo espera uma abordagem profissional e uma parceria genuína do governo.
Apelamos à administração para que reflita e mude o modelo de cooperação – o turismo é um bem econômico, social e cultural. A negligência na sua gestão custa a todos nós – é hora de mudar isso.
Fonte: Facebook
RP