Ucrânia e EUA chegam a acordo sobre exploração de minerais. Zelensky vai aos EUA assinar o documento com Trump
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Depois de várias semanas de negociações, os Estados Unidos e a Ucrânia chegaram a um acordo para a exploração de minerais e terras raras em território ucraniano e o documento deve ser assinado já no final desta semana. A notícia foi inicialmente avançada pelo Financial Time e, mais tarde, confirmada pelo Presidente dos EUA aos jornalistas. Enquanto assinava ordens executivas, Trump confirmou que o acordo estava “praticamente negociado” e revelou inclusivamente que Zelensky iria visitar Washington com vista a assiná-lo na sexta-feira.
Segundo a versão final do acordo a que o Financial Times teve acesso, o acordo estabelece um fundo de investimentos na Ucrânia para o qual Kiev contribuiria com 50% das receitas provenientes dos recursos minerais explorados de forma conjunta entre ucranianos e norte-americanos. Já fonte do gabinete presidencial citada pelo jornal Kyiv Independent revelou que Kiev revelou que o lado norte-americano terá maior poder de decisão e o fundo será utilizado para fazer investimentos na economia ucraniana.
A ideia do acordo foi originalmente lançada pelo próprio Presidente norte-americano para, segundo Trump, compensar o dinheiro enviado pelos norte-americanos para ajudar no esforço de guerra ucraniano. A primeira proposta da Casa Branca, porém, esbarrou contra um forte “não” ucraniano ao exigir um direito a lucros potenciais no valor de cerca de 475 mil milhões de euros (500 mil milhões de dólares).
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Na versão final, datada de 24 de fevereiro de 2025, o texto do acordo demonstra a existência de concessões norte-americanas em relação à primeira proposta rejeitada por Kiev, retirando a cláusula acima referida que dava aos EUA os lucros potenciais.
Nos termos do acordo, explicita o Financial Times, só os lucros provenientes destas explorações conjuntas contarão para as contas deste fundo de investimento, deixando assim de fora as explorações que o Estado ucraniano já tem, através das empresas públicas Ukrnafta (para o petróleo) e Naftogaz (para o gás natural).
Além dos detalhes financeiros, subsistem ainda dúvidas se o texto final do acordo menciona ou garantias de segurança para a Ucrânia, medida que era uma das principais exigências de Kiev para aceitar ceder as suas terras raras aos EUA. Segundo o Financial Times, o acordo não faz qualquer referência a esta medida. Uma informação também avançada pelo jornal online Ukrainska Pravda, na qual se garante igualmente que Kiev não conseguiu obter um compromisso escrito dos EUA para continuar a prestar apoio militar à Ucrânia em troca dos benefícios económicos previstos no acordo.
No entanto, uma alta autoridade ucraniana disse à AFP, sob anonimato, que os termos do acordo incluem uma referência à segurança, mas não mencionam explicitamente o papel dos Estados Unidos. “Esta é uma cláusula geral que diz que os EUA investirão numa Ucrânia soberana, estável e próspera, que trabalharão para uma paz duradoura e que os EUA apoiarão os esforços para garantir a segurança“, detalhou.
Uma das cláusulas do acordo final proíbe a transferência de dinheiro do fundo para terceiros sem o consentimento de ambos os países. Ainda assim, pouco mais se sabe sobre o documento, faltando conhecer detalhes sobre como se irá definir a participação norte-americana no fundo de investimento e como se irá estruturar a propriedade conjunta das explorações de recursos naturais.
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Ao Financial Times, a vice-primeira-ministra ucraniana, Olha Stefanishyna, revelou que os EUA tinham dito, durante as negociações, que o acordo era parte de “um quadro maior”. Na mesma notícia, um oficial ucraniano apontou que a visita de Zelensky aos EUA poderia ajudar a compreender que “quadro maior” era esse. Zelensky não se manifestou sobre o tema.
Já na Casa Branca, quando questionado sobre que benefícios trará este acordo à Ucrânia, Trump respondeu que lhes daria “equipamento militar e o direito a continuar a lutar”.
O Presidente norte-americano apelidou os ucranianos de “muito corajosos” e “muito bons soldados”, mas alegou que, “sem os Estados Unidos, o seu dinheiro e o seu equipamento militar, esta guerra teria terminado num espaço de tempo muito curto”.
E confessou que não quer ficar por aqui na exploração de recursos naturais noutros países, apontando a Moscovo. “Gostava também de comprar minerais em território russo, se pudermos. Eles têm terras raras muito boas também”, declarou, defendendo que seria um negócio “muito bom para a Rússia também”.
observador