Capim, startup brasileira BNPL de serviços odontológicos, conquista Série A de US$ 26,7 milhões
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A Capim, uma startup que oferece aos brasileiros a opção de comprar agora e pagar depois (BNPL) por serviços odontológicos, levantou US$ 26,7 milhões em financiamento Série A, segundo informações exclusivas da TechCrunch.
Fundada em julho de 2021 por Marcelo Lutz e Roberto Biselli, que atuam como co-CEOs, a Capim , sediada em São Paulo, se descreve como uma empresa SaaS vertical especializada no setor odontológico. Ela afirma que seu sistema operacional ajuda os dentistas a digitalizar e gerenciar suas clínicas e aumentar a receita.
Uma das coisas que o software da Capim faz, por exemplo, é ajudar os pacientes a agendar consultas digitalmente em clínicas conectadas. Na frente do BNPL, a empresa diz que essa oferta é menos dispendiosa do que uma alternativa como um cartão de crédito.
“Diferentemente da prática comum no Brasil de parcelar com cartão de crédito — que exige tanto um limite de cartão de crédito quanto a capacidade de pagar em um número limitado de parcelas — normalmente até 6 ou 12 — nossa solução oferece maior flexibilidade, permitindo pagamentos de até 36 parcelas”, disse Biselli ao TechCrunch. Ele afirma que as taxas de juros que a Capim cobra são 50% menores do que as cobradas por bancos tradicionais.
Agora com sua mais recente infusão de capital, a Capim planeja expandir suas ofertas financeiras com um terminal POS (ponto de venda) que oferecerá às clínicas taxas de desconto para comerciantes (MDR) significativamente mais baixas, ao mesmo tempo em que se integra ao seu módulo de gerenciamento financeiro SaaS. Uma taxa de desconto para comerciantes (MDR) é uma taxa cobrada de uma empresa pela empresa que processa suas transações de cartão de débito e crédito. O terminal permitirá que as clínicas aceitem cartões de crédito, cartões de débito e PIX (sistema de pagamento em tempo real do Brasil).
O capital também irá para o desenvolvimento do que a empresa descreve como novas ferramentas alimentadas por IA, projetadas para tornar as operações clínicas mais eficientes. A startup também planeja acelerar sua estratégia de entrada no mercado para expandir sua rede de clínicas e pacientes.
A rodada Série A da Capim foi levantada em duas tranches. Valor Capital e QED Investors colideraram o financiamento, que incluiu a participação dos investidores existentes ONEVC, Canary e NXTP, bem como novos investidores Endeavor, Saison e Actyus, um fundo liderado pelo CEO da Creditas, Sergio Furio. A startup se recusou a divulgar sua avaliação. No total, levantou cerca de US$ 29 milhões, incluindo uma rodada inicial de US$ 2,5 milhões quando foi lançada pela primeira vez em julho de 2021.
Lutz e Biselli se conheceram enquanto trabalhavam em seus MBAs no INSEAD, onde venceram o INSEAD Venture Competition em dezembro de 2020. Depois de executar um piloto bem-sucedido no início de 2021, eles lançaram oficialmente o Capim após concluírem seus cursos.
Até o momento, a startup afirma ter ajudado mais de 60.000 brasileiros a terem acesso a procedimentos odontológicos.
Embora a empresa tenha se recusado a revelar números concretos de receita, Lutz disse que triplicou sua receita em 2024, ao mesmo tempo em que adicionou mais de 4.000 clínicas à sua base de clientes. Atualmente, atende 6.000 clínicas odontológicas e espera atingir mais de 10.000 até o final do ano. A Capim ainda não é lucrativa, mas "empatou" no final do ano passado, dizem os cofundadores.
A Capim ganha dinheiro de duas maneiras: por meio de assinaturas de SaaS, que fornecem às clínicas ferramentas digitais para gerenciar suas operações, bem como produtos financeiros, que, segundo ela, ajudam as clínicas a aumentar a acessibilidade dos pacientes e, assim, gerar mais receita.
Atualmente, a Capim conta com 130 funcionários, contra 115 há um ano.
Carlos Costa, da Valor Capital, disse que sua empresa foi atraída a investir na Capim porque a startup “aborda desafios claros enfrentados pelos profissionais na gestão de suas clínicas e no financiamento e pagamento de tratamentos”.
Mike Packer, da QED Investors, disse que sua empresa acompanha a Capim desde o início.
“Depois de observar a rapidez com que a empresa cresceu com uma forte economia unitária, ficamos bastante convencidos do ajuste inicial do produto ao mercado e vimos essa tração inicial como apenas o começo”, disse ele ao TechCrunch.
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